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AGENTES ESPECIAIS PROTEGERÃO O HOTEL, SEDE DOS PRINCIPAIS ACTOS DA REUNIÃO MINISTERIAL


Atiradores de elite tomarão os telhados compostelanos em Fevereiro para defender a cimeira da UE

Corpos de Segurança do Estado e manifestantes de toda a espécie trabalham a todo o gás face à cimeira de ministros da U.E., que se celebrará em Santiago em Fevereiro. Os primeiros tratam de blindar a cidade para evitar a entrada de grupos violentos e os segundos dispõem-se a fazer tudo para "dinamitar" o bom desenvolvimento da importante reunião. O Hotel, sede dos principais eventos, será um forte, o Obradoiro converter-se-á num bunker e o telhado da Catedral será tomado por "franco-atiradores".

SANTIAGO. Redacção

Todos os olhos estão já postos em Santiago. A celebração da cimeira de ministros da Justiça da União Europeia está a mobilizar tanto polícias como manifestantes. Os primeiros, quantificados em 4.000, começaram a chegar à capital galega para convertê-la numa cidade fortificada, inexpugnável para os inúmeros grupos e colectivos de toda a espécie que já anunciaram a sua intenção de mobilizarem-se e ensurdecer com as suas palavras de ordem (anti-globalizadoras, anti-capitalistas, anti-europeístas, anti-espanholistas, etc.) os 26 ministros que acudirão à reunião, marcada no contexto da presidência espanhola da U.E..

Com as coisas assim, o mapa da capital galega converteu-se num tabuleiro de xadrez no qual os bandos opostos tratam de dar xeque-mate ao inimigo. No entanto, na disposição das peças, levam por agora vantagem os Corpos de Segurança do Estado, que já começaram a distribuir os seus efectivos pelos acessos à cidade, onde a cada dia se realizam um maior número de controlos para evitar a incursão de grupos radicais e inclusive de terroristas.

O macro-dispositivo de segurança foi pensado até aos últimos pormenores. A vigilância nos acessos por estrada, na estação da Renfe, no aeroporto de Lavacolla e na estação de autocarros é só a primeira fase da chamada operação Añil. Mas não acaba aí, já que os agentes fecharão vários anéis de segurança concêntricos, sucessivos filtros de vigilância que se irá tornando mais apertada em redor da Praça do Obradoiro. Segundo pôde verificar este diário, apesar do absoluto mutismo das forças de segurança acerca dos lugares onde terão lugar os actos principais da cimeira, o Hotel dos Reis Católicos (em menor medida o Pazo de Raxoi) perfilham-se como as sedes das reuniões ministeriais. Esse será o centro nevrálgico da cimeira, o santuário que será defendido por um exército de polícias contra os manifestantes, que poderão exercer o seu legítimo direito ao protesto fora da zona de risco.

O próprio Cabido da Catedral foi consultado para poder distribuir agentes de elite em pontos estratégicos do templo, incluindo torres e telhados, onde se colocarão franco-atiradores de elite atentos a qualquer acção que ponha em perigo a integridade dos assistentes
à cimeira.

Começam a mobilizar advogados para defender os que serão detidos

Ao mesmo tempo que os Corpos de Segurança do Estado se preparam para fazer face às manifestações previstas durante a cimeira da U.E., os convocantes das mesmas elaboraram uma espécie de decálogo do manifestante, presente na Internet, que reúne toda uma série de recomendações úteis:
Quanto mais melhor. "É conveniente acudir em grupos amplos, evitar o transporte público nos últimos percursos e procurar entradas (para Santiago) pouco concorridas para despistá-los e iludir os controlos".

Olho nas câmaras. "Recordai-vos que a zona centro e a zona histórica estarão cobertas de cãozitos de guarda do capitalismo (um polícia por cada três metros) e que a zona velha está repleta de câmaras de vídeo-vigilância".

Batalha judicial. "Estamos a mobilizar advogados para fazer frente às mais que prováveis detenções".
Mapas de Compostela. "É fácil conseguir mapas de Compostela, que por algum motivo se peregrina até ali. Não seria de mais se arranjasses um e o estudasses a fundo durante o caminho, a cimeira terá lugar no centro histórico, que tem ruas com muitos becos e estreitos e que é provável que esteja completamente fechado".

Polícia secreta. "Tenham em conta que muitos polícias estarão à paisano, colar-se-ão às manifestações e é provável que tentem provocar-nos para justificar a repressão. Mantém a cabeça fria e não te esqueças que o pânico só joga a seu favor".

Os grupos de protesto calculam três "bófias" por manifestante

Grupos autodenominados libertários ou partidários de uma Europa alternativa estão a difundir nestes dias comunicados entre simpatizantes e afins, nos quais convocam todos para estarem em Santiago durante a cimeira, para participarem nas mil e uma manifestações previstas para essas datas. Conscientes de que enfrentam um autêntico exército de polícias (de facto calculam que haverá "cerca de três bófias por manifestante"), os convocantes realizaram inclusive treinos para a cimeira.

De facto, alguns deles participaram numa recente manifestação anti-capitalista celebrada em A Corunha, que, segundo o comunicado difundido, "foi o culminar de umas jornadas de preparação para a cimeira e na qual se pintaram fachadas de vários bancos, um McDonald’s com clientes lá dentro e várias igrejas". Acrescenta também a nota, "colocaram-se faixas em monumentos, pintou-se de vermelho a estátua de Millán Astray e várias pessoas acorrentaram-se à porta da Câmara Municipal".

Os libertários são apenas um dos colectivos que convocaram manifestações em Compostela para os dias 13, 14 e 15 de Fevereiro. A eles somaram-se todo o tipo de grupos anti-globalização, radicais independentistas e os próprios sindicatos convencionais, já que CCOO, UGT e CIG (os três maioritários na Galiza) fizeram um chamamento para a mobilização nessas mesmas datas na capital galega, que se converterá num cocktail molotov de protestos de toda a espécie, faixas, megafones e manifestantes de todos os tipos.

Os helicópteros vigiarão a partir do ar uma cidade onde até o SUP protestará

O colorido mosaico em que se converterá Santiago em meados de Fevereiro será completado por outros dois elementos: a vigilância aérea por meio de helicópteros da Polícia (sobrevoarão toda a zona histórica, com especial atenção à Praça do Obradoiro) e as manifestações previstas do Sindicato Unificado da Polícia (SUP) e de grupos próximos à própria Guardia Civil.

Produzir-se-á assim o estranho paradoxo de que companheiros do mesmo corpo estejam de lados diferentes das trincheiras, uns como garantes da segurança da cimeira (4.000 polícias, incluindo a criação de grupos anti-distúrbios no seio da Guardia Civil) e os outros de faixa e megafone.


O secretário geral do SUP na Corunha, Leandro Díaz, denunciou que a "blindagem de Santiago" pode provocar que se "descuide" a segurança noutras cidades por falta de pessoal, circunstância que será precisamente denunciada, juntamente com a petição de um aumento salarial, pelos manifestantes do sindicato policial.

Reforços iminentes

A esse respeito, convém assinalar que está prevista a próxima incorporação ao serviço de 2.500 novos agentes que actualmente se estão a formar na Academia de Ávila, boa parte dos quais prestarão serviço nas esquadras galegas ao longo dos próximos anos. Será a primeira de uma série de medidas de choque contra a escassez de pessoal.

Por outro lado, as mesmas fontes do SUP lamentaram que a manifestação policial não será "excessivamente massiva", já que muitos dos agentes sindicalizados foram chamados a integrar o dispositivo de segurança da Operação Añil, acrescentando que boa parte dos 1.900 polícias nacionais do resto da Galiza serão transferidos para Compostela. Para todos eles pedem o pagamento de 15.000 pesetas por dia e que sejam informados com antecedência dos dispositivos especiais de segurança, já que "os detalhes do destacamento em Compostela só os temos conhecido através da imprensa".