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Os Factores Essenciais da Produção

 

O fundamento de toda a economia consiste em obter o maior proveito possível a partir do menor esforço possível.

Esta lei económica devia ser suficiente para que a presente ordem capitalista fosse rejeitada e combatida, uma vez que, ao invés de se obter o máximo proveito empregando o menor esforço, temos um desperdício enorme, e a utilização dos recursos naturais, das instalações técnicas e da ciência é desprezível. Nós não vivemos como podíamos e devíamos viver.

Quais são os factores de produção?

Primeiro: A Natureza, que fornece ao homem as matérias-primas e determinadas forças naturais.

Segundo: o trabalho humano, manual ou intelectual, que elabora e utiliza as matérias-primas.

Terceiro: a Maquinaria, que multiplica a potencia e a capacidade produtiva do trabalho humano. (Alguns economistas chamam-lhe Capital.)

O Capitalismo não é sequer capaz de aproveitar a totalidade dos recursos oferecidos pelo primeiro factor (a Natureza), como se pode ver pelas grandes extensões de terra deixada por cultivar, pela capacidade hídrica inexplorada e por todas as matérias-primas que não são aproveitadas. No que diz respeito ao trabalho humano, intelectual ou manual, nem sequer é preciso mostrar que o sistema capitalista não aproveita nem mesmo metade da sua capacidade. Existem hoje em dia dezenas de milhões de trabalhadores sem emprego espalhados por todo o mundo. Os profissionais e os cientistas vagueiam, vegetam, e sofrem privações, sem meios para dar uso aos seus conhecimentos e experiência profissional. Só um número muito restrito de profissionais e cientistas é que consegue vender com sucesso os seus serviços aos potentados do regime capitalista.

Também é bastante evidente que o terceiro factor, a maquinaria, está a ser usado muito abaixo baixo das suas reais potencialidades. Foram criados inventos prodigiosos, e aparecerão ainda maiores invenções no futuro, mas elas dificilmente são postas a trabalhar durante mais do que algumas horas num único dia, ou então durante apenas alguns dias por semana.

Foi calculado que, só a indústria dos E.U.A., trabalhando a plena potencia, seria capaz de fornecer todos os produtos industriais consumidos no mundo. Os economistas capitalistas, os homens de Estado, as conferências de peritos, e todas as forças do conservadorismo político e social, têm tentado descobrir uma saída para isto sem qualquer sucesso. Pelo contrário, a situação tem-se agravado cada vez mais.

A única coisa que podemos prever sem medo de errar é que a paralisação industrial ainda vai ser maior nos anos que hão de vir, e que a situação dos trabalhadores vai tornar-se cada vez mais intolerável com o passar dos anos. Por isso, o sistema capitalista tornou-se impraticável, uma vez que já não consegue extrair o máximo rendimento de nenhum dos três factores de produção. Se, por razões meramente económicas, já não há nenhuma defesa possível para a presente ordem de coisas, será possível dar-lhe alguma justificação tendo por base princípios humanos e sociais?

Por exemplo: o empreendimento capitalista, no campo de agricultura, envolve os seguintes factores:

1: Aluguer da terra.
2: Juro do capital.
3: Salários.
4: Lucros.
5: Defesa governamental da propriedade privada.

Quando compras um pão, estás a pagar uma taxa. Uma parte dessa taxa vai para o proprietário do terreno, outra parte corresponde ao juro do capital investido, outra ainda paga o salário dos trabalhadores, temos mais outra parte que corresponde ao lucro do dono e, finalmente, uma parte que corresponde á defesa governamental da propriedade privada e á manutenção do resto da maquinaria política envolvida na preservação da chamada “ordem pública”.

Já vimos que só há necessidade de três factores de produção: a terra, o trabalho humano, e a maquinaria. Uma economia socializada só tem em consideração estes três factores e, numa economia socializada, o mesmo pão só seria taxado pela parte que corresponde ao trabalho humano necessário para o produzir e pela parte que corresponde ao uso de maquinaria. O aluguer do proprietário, o juro do capital, o lucro do dono, e a manutenção do aparato estatal repressivo desaparecem.

Há quem diga que o dinheiro, a grande divindade do capitalismo, também é um factor produtivo, mas ninguém pode provar que o lucro, como tal, é uma força de produção necessária. Ninguém diria que o trigo não havia de crescer bem em campos cultivados sem títulos de propriedade ou polícias. Imagina como seria uma nova forma de organização económica em que todos os elementos parasitários interpostos pelo regime da propriedade privada fossem suprimidos, na qual fossem os próprios produtores a beneficiar do seu trabalho (juntamente com essas categorias de consumidores que têm um direito natural a existir, ou seja: a criança, o idoso e o doente).

J. Stuart Mills escreveu: "Não considero justo um estado de sociedade no qual exista uma classe que não trabalhe e no qual que existam seres humanos que, não tendo adquirido qualquer direito ao lazer por meio de um qualquer trabalho que tenham realizado anteriormente, fiquem dispensados de tomar parte na realização dos trabalhos a que todos os seres humanos estão incumbidos." J. Stuart Mill tem razão. Nós acreditamos que uma tal sociedade não tem qualquer direito de existir e desejamos sua total transformação. Queremos uma economia socializada, na qual a terra, as fábricas, as habitações, e os meios de transporte deixem de pertencer aos proprietários privados para se tornarem propriedade colectiva de toda a comunidade.

Essa mudança de regime requer uma estrutura de vida económica completamente nova. Hoje em dia, a direcção da indústria está nas mãos da iniciativa privada, ou seja, dos capitalistas. Em termos técnicos, eles são inferiores aos engenheiros e aos trabalhadores. Os empresários são, por sua vez, dominados pelas grandes instituições financeiras e, em última análise, são os banqueiros que controlam directamente a vida económica dos nossos dias. E os banqueiros só se interessam pelas cotações da bolsa de valores.

A nova economia socializada vai ficar nas mãos dos trabalhadores e dos técnicos, e não vai ter nenhum outro propósito, nenhuma outra finalidade, que não seja a satisfação das necessidades das pessoas. O consumidor não vai representar simplesmente um mercado, ele não vai ser criado para comprar os produtos: os produtos vão ser elaborados para satisfazer ás suas reais necessidades.

A avaliação pecuniária de coisas vai desaparecer e, com ela, o monstruoso absorvendo, o poder inteiramente parasitário da finança, das dívidas públicas, e dos outros custos improdutivos do dinheiro. Com isto, vai desaparecer a escravatura dos salários, juros, rendas e lucros. Vamos voltar, no fim de contas, a uma economia governada pelo bom senso, na qual todas as riquezas vão ser produzidas por meio da coordenação dos três factores essenciais da economia: a terra, com as suas forças naturais, o trabalho humano, e a maquinaria.

A qualidade de vida no futuro vai depender da máxima consolidação destes factores, o que significa que vai estar nas nossas mãos e na nossa vontade realizar o bem-estar e a felicidade de todos neste mundo.



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