Home
Biblioteca
Links  Panfletos Novidades
Especiais

 

Conselho da Agricultura

 

A Revolução é frequentemente associada com uma atmosfera de catástrofe, o que se deve aos naturais receios da minoria privilegiada, daqueles que vivem da exploração do trabalho dos outros. Mas mesmo os danos resultantes de algo tão grave quanto uma guerra civil nunca causariam tanto mal e tanta miséria quanto a que é causada por um ano de capitalismo perfeitamente normal. Nós vimos como a socialização da habitação, do vestuário e dos produtos alimentares iria reduzir os tempos de ócio de que hoje gozam os que vivem na opulência. Mas também vimos, por outro lado, como as condições de existência dos produtores laboriosos iriam melhorar com uma distribuição mais equitativa dos bens.

E quanto á terra? A transição do sistema de propriedade privada para propriedade colectiva, ou social, não irá afectar a terra, em si mesma, de modo nenhum. Ela vai continuar a estar ali, só que em vez de escravizar o camponês pobre, para lucro dos latifundiários, ela será uma fonte de riqueza usada em benefício de todos.

O território espanhol cobre uma superfície de 50.521.002 hectares, dos quais aproximadamente 20.000.000 são de terra de cultivo, 25.000.000 são planícies selvagens ou montanhas, e 5.000.000 de hectares são ocupados por centros urbanos, estradas, rios e caminhos-de-ferro.

A possibilidade de estender as áreas produtivas ainda é grande. Tal como na Holanda se ganharam regiões inteiras ao oceano, também em Espanha podemos tornar férteis os terrenos desolados e meio desérticos que cobrem hoje províncias inteiras. [1]

Segue-se a distribuição aproximada dos 20 milhões de hectares de terra de cultivo: [2]


Cereais e Legumes...................... 14.800.000 Hectares
Oliveiras......................................... 1.720.000
Vinha….......................................... 1.340.000
Plantas industriais............................. 650.000
Raízes, Tubérculos e Bolbos.............. 480.000
Árvores de fruta................................. 450.000
Planícies artificiais............................. 465.000
Horticultura......................................... 88.000
Cultivo especial..................................... 7.000


Dos cereais, o trigo cobre uma área de 4.200.000 hectares, a aveia, 1.600.000, o centeio, 600.000, o feno, 740.000, o milho, 480.000, e o arroz, 43.000 hectares. Em 1929, a área de trigo estava dividida como se segue, em quintais métricos:

Castela Velha........................... 9.383.200
Castela Nova.......................... 12.663.000
Aragão e Rioja.......................... 2.123.000
Andaluzia................................. 8.543.750
Navarra Basca... …………..….....1.278.750
Catalunha................................. 1.841.000
Levante.................................... 1.542.750
Galiza e Astúrias……………........ 381.650
Ilhas adjacentes.......................... 886.250

As laranjas ocupam uma área de aproximadamente 60.000 hectares, ás quais se juntam mais 500.000 árvores espalhadas pelo país.

Não precisamos de entrar em detalhes adicionais sobre a produção agrícola espanhola. Se a Revolução não tiver, a principio, sucesso na tarefa de aumentar a produção agrícola, ela não a irá diminuir. Ela irá pelo menos assegurar uma distribuição real dos produtos, de forma a alimentar os milhões de trabalhadores da terra que têm estado a viver como autenticas bestas de carga, ignorantes de toda felicidade humana.

Existem numerosas escolas agrícolas e fazendas modelo espalhadas pelo país. Existem igualmente fábricas que produzem maquinaria e utensílios agrícolas. Elas não existem em quantidades suficientes, mas oferecem uma base para desenvolvimentos posteriores.

Devido ao aumento das necessidades humanas, é necessário que se use todo o desenvolvimento dos modernos processos técnicos de produção. Ao mesmo tempo, a especialização suplantará o camponês individual, da mesma forma que o trabalhador industrial moderno sucedeu ao artesão. O camponês moderno tem que produzir para sociedade, da mesma forma que o trabalhador fabril. Esta evolução não tem necessariamente que implicar concentração na agricultura. Ela pode muito bem ser realizada através da especialização, tanto nos empreendimentos agrícolas grandes, quanto nos pequenos.

Contudo, é aconselhável que haja um plano geral. Os Conselhos de Produção Agrícola de cada localidade formariam o Sindicato Agrícola da área. Os cultivadores de vinha, de azeitonas, de beterraba de açúcar, etc., formariam os seus próprios sindicatos e, todos juntos, o Conselho de Indústria Agrícola de uma determinada zona.

O Conselho da Indústria Agrícola seria responsável pelas escolas experimentais, pela coordenação dos problemas de natureza interna, e por satisfazer a crescente necessidade de industrializar a produção agrícola. Tendo por base a unidade geográfica, agruparíamos estes conselhos com os conselhos das outras indústrias, formando os Conselhos de Economia. A coordenação da produção, enquanto um todo, estaria assegurada pela união entre estes e os conselhos regionais e federais de economia.

No processo de distribuição dos produtos agrícolas, caberia aos Conselhos de Crédito e Troca a tarefa de fazer o levantamento estatístico completo da produção e do consumo nas suas respectivas localidades, assim como da terra arável, da maquinaria, e da força de trabalho de que dispõem. Será através dos Conselhos de Crédito e Troca (que vão tomar o lugar que é hoje ocupado pela banca capitalista), que a produção local será trocada por maquinaria, ferramentas, roupa, comida, e tudo o resto, de acordo c igências e as necessidades dos produtores e consumidores.


[1] Mais de 75.000 quilómetros do território espanhol estão cobertos por estepes, ou seja, 1/7 do território total. Estas paisagens nuas são habitualmente áridas, e seria necessário muito trabalho para as tornar férteis. Os rios causam a erosão do terreno, arrastando consigo enormes quantidades de terra fértil e de minerais, empobrecendo perigosamente grandes áreas de terreno agrícola. Existe uma necessidade imediata de se proceder á construção de represas e diques nos locais onde são mais necessários. (Geofilo, Problemas da Espanha, "Tiempos Nuevos", Abril de 1936, Barcelona.)

Não temos que alimentar demasiadas ilusões acerca do solo espanhol. O geólogo Lucas Mallada esquematizou as suas capacidades agrícolas da forma que se segue:

Terra Rochosa------------------------------------10%
Áreas de Pequena Produtividade ---------35%
Áreas de Produtividade Razoável---------45%
Áreas de Produtividade Excepcional-----10%

[2] Um hectare contém 100 acres.

 


Anterior