Conselho das
Industrias de Utilidade Pública
Hoje em dia, a capacidade económica de um país é
medida mais pela energia eléctrica que ele consome do que
pelo seu tamanho ou pelo número de trabalhadores que ele
tem. Segundo as estatísticas da Comissão Federal de
Energia dos Estados Unidos, a Espanha tem uma reserva de energia
hidroeléctrica capaz de produzir quatro milhões de
cavalos-vapor de electricidade, só estando a ser aproveitada
um quarto dessa capacidade. Em confirmação parcial
do que foi dito agora, o anuário estatístico de Espanha
para 1930 registou um consumo de apenas 1.064.272 cavalos-vapor
de electricidade. Temos estações hidroeléctricas
de grandes dimensões, tais como Riegos e Fuerzas del Ebro,
a Energia Eléctrica da Catalunha, a Hidroeléctrica
Espanhola, a União Eléctrica Madrilena, a Hidroeléctrica
Ibérica, etc., geralmente propriedade de companhias americanas.
Há muito espaço para se desenvolver a produção
de energia eléctrica em Espanha, uma vez que, hoje em dia,
os recursos do país, nesse aspecto, estão a ser aproveitados
a uma escala muito reduzida.
O
engenheiro Pereira Carballo, num artigo publicado na 'Revista de
Electricidad", e reimpresso na "Sol", de 7 de Janeiro
de 1936, considera possível a produção de mais
de doze milhões de cavalos-vapor de energia hidroeléctrica,
distribuídos como se segue:
Rio Ebro......................................3.150.000
Rio Douro.....................................2.080.000
Guadalquivir..................................1.964.000
Rio Tejo........................................1.865.000
Guadiana.........................................865.000
Rio Minho.........................................743.000
Rio Jucar..........................................511.000
Rio Segura........................................346.000
Outros ribeiros e rios..........................990.000
Total.............................................12.514.000
Traduzindo
esta potência hidroeléctrica, ou combustível
branco, em carvão, ou combustível negro, teríamos
o equivalente a 75.000.000 de toneladas de carvão, com uma
economia enorme nos custos de produção.
Existem
vários projectos de electrificação, construção
de barragens e aproveitamento dos recursos hídricos, tanto
para produção de electricidade como para irrigação.
Não há nada a impedir a concretização
destes projectos, tirando os obstáculos financeiros. Não
temos falta nem de engenheiros capazes, nem de mão-de-obra,
nem de materiais. Além da electricidade que é obtida
a partir da energia hidroeléctrica, e que seria mais barata
em Espanha, também podemos obter electricidade a partir da
combustão do carvão, em centrais termoeléctricas.
Neste campo, foram concretizadas inovações magníficas.
A primeira turbina a ser montada numa central eléctrica,
em 1903, consumiu 3.12 quilogramas de carvão por cada quilowatt
hora. Em 1913, o consumo de carvão por quilowatt hora desceu,
nas centrais americanas, para 1.30 quilogramas e, em 1929, a média
era 0.54 quilogramas por quilowatt hora. Em 1933 já se consumia
menos de 0,45 quilogramas de carvão por quilowatt hora.
E
ainda temos as fontes de energia que podem ser extraídas
do ar, que o holandês soube tão bem utilizar com os
seus moinhos de vento, e que são agora pensadas como uma
possível fonte de energia eléctrica.
Em
Espanha, produz-se actualmente uma grande quantidade de material
eléctrico. Fabricam-se cabos subterrâneos de 6.000,
11.000, 30.000 e 50.000 volts para as centrais eléctricas
de Madrid, Málaga, Bilbau, Barcelona e Valença, fabricam-se
cabos telefónicos e fios para as linhas urbanas e interurbanas,
e também cabos para as minas, motores eléctricos para
a indústria, maquinaria e aparelhos eléctricos para
a Marinha e o Exército, contadores eléctricos, lâmpadas
eléctricas, filamentos, etc.
Em
1921, existiam 118 estabelecimentos que fabricavam material eléctrico,
515 que produziam gás e electricidade, e 101 de águas
públicas, sem contar com as companhias privadas que existem
na Espanha em grande número. As últimas predominam
em quase todas as áreas, o faz com que se torne uma tarefa
muito complexa para os capitalistas espanhóis concertar as
suas empresas e os seus interesses.
Apresentámos
conjuntamente os números para a produção de
luz, de energia eléctrica, das águas, e da irrigação
dos campos, porque todos estes serviços estão interligados.
A organização das indústrias de utilidade pública
será semelhante á das anteriores, de baixo para cima,
do estabelecimento ao sindicato, do sindicato ao conselho de indústria,
do conselho de indústria ao conselho local de economia, etc.
Mas, tal como acontece com os transportes, também as industrias
de utilidade pública devem estar integradas á escala
nacional. Isso é indispensável, e trará as
maiores possibilidades de desenvolvimento. Há até
mesmo quem fale, hoje em dia, da unificação eléctrica
de todo o continente europeu, para que nem um único quilowatt
fique sem uso ou seja desperdiçado.
O
conselho das industrias de utilidade pública terá
um papel muito importante na construção do futuro
do país, uma vez que todos os planos para aumentar a produção,
diminuindo o tempo de trabalho e fomentando a cultura, serão
irrealizáveis enquanto que todas as fontes de energia que
o país tem para oferecer não estiverem a ser utilizadas
pelo novo sistema económico.
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