Conselho das
Indústrias de Transportes
O Conselho das Indústrias de Transportes será um do
mais importante na nova economia. A sua coordenação
deve ser perfeita, e acreditamos que isso será mais facilmente
obtido através da supressão da iniciativa privada,
baseada no conflito e na competição.
Em
Espanha existem, segundo com as estatísticas de 1930, 16.000
quilómetros de via-férrea, que empregam 150.000 ferroviários
e empregados. As linhas principais são a M.Z.A. (Madrid,
Saragoça, Alicante) e a Linha do Norte. As estradas nacionais
cobrem 52.000 quilómetros. Temos ainda 7.000 quilómetros
de estradas de província e 10.000 quilómetros de estradas
locais. Contudo, quase metade das cidades espanholas continuam isoladas
e fora do alcance das artérias modernas.
Em
1935, a Espanha tinha uma frota mercante de 1.265.321 toneladas.
Desse número, cerca de 300.000 toneladas não estão
a navegar, o que leva a que, só na Biscaia, hajam cerca de
15.000 marinheiros desempregados. Não sendo um país
exportador importante, a Espanha não se acha na necessidade
de competir com o transporte marítimo de outras nações,
tendo simplesmente a tonelagem necessária para suprir ás
necessidades do seu comércio local e externo. Existem, contudo,
excelentes estaleiros de construção naval em Espanha,
capazes de construir cargueiros e navios de guerra utilizando apenas
materiais nacionais. Em 1921, a construção naval atingiu
as 37.023 toneladas e, em 1931, foi alcançado o valor de
48.117 toneladas.
A
aviação comercial também está a crescer.
Em 1920, foram registadas 3.215 horas de voo, cobrindo uma distância
de 468.040 quilómetros. Em 1930, contaram-se 4.070 horas
de voo, cobrindo 603.035 quilómetros e transportando 31.965
quilos de mercadoria e 6.300 passageiros. Existem escolas para pilotos
militares em Madrid, Cartagena e Sevilha. Também existem
escolas adequadas para mecânicos e técnicos, assim
como um laboratório aerodinâmico em Madrid.
Depois
da Revolução, nada disso será suprimido, mas
todos beneficiarão de uma melhor coordenação
de todos os recursos disponíveis. O desenvolvimento prosseguirá,
com o objectivo de obter maiores velocidades, mais conforto, e maior
economia de material e trabalho, aperfeiçoando constantemente
os serviços de transporte.
Vamos
ter os problemas comuns a uma organização burocrática,
assim como o conflito entre a operação a pequena e
grande escala. Acreditamos, contudo, que a racionalização
das indústrias de transporte, com a eliminação
progressiva dos estabelecimentos de pequenas dimensões, é
a opção mais desejável. Existe o perigo de
abusos, desperdício, e negligência do interesse comum,
mas a organização a grande escala é certamente
a mais eficiente, e temos confiança na vigilância e
no interesse dos trabalhadores, que irão velar pelo funcionando
adequado da organização. Em particular na indústria
automóvel, com certeza que as pequenas fábricas de
automóveis de Barcelona devem substituir um modelo de organização
semelhante ao da fábrica Ford de Detroit.
O
Conselho nacional das indústrias de transporte da Espanha
irá incluir nada menos do que 400.000 trabalhadores, mecânicos
e técnicos, e as suas funções serão
altamente construtivas e benéficas para toda a estrutura
económica.
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