Conselhos Regionais de Economia
Até
agora, só falámos da organização da
indústria e da agricultura á escala local. Também
dissemos que, na economia moderna, o isolamento é impossível,
e enfatizámos a necessidade de um interrelacionamento adequado
entre todos os factores coordenados da produção, distribuição
e consumo.
Em
Espanha, temos diversas regiões com as suas próprias
características e peculiaridades em termos de língua,
história e geografia, que vão ser os futuros centros
da organização económica. Os Conselhos locais
de economia das cidades vão juntar-se aos conselhos municipais
da província e do campo para formar o Conselho Regional de
Economia, com funções semelhantes, mas numa escala
maior. Desta forma, teremos um Conselho das Ilhas Baleares, um Conselho
da Catalunha, um Conselho da Navarra Basca, um Conselho da Galiza,
e outros conselhos regionais de economia. Cada região irá
dispor de total autonomia administrativa e, desta forma, as regiões
obterão finalmente o seu estatuto de autonomia, pedido em
vão ao governo capitalista central. Autonomia, contudo, não
significa isolamento ou independência, uma vez que todas as
regiões de Espanha são necessariamente interdependentes.
A
vantagem da economia regional reside no facto de os habitantes de
cada região conhecerem melhor os problemas do seu território
e consagrarem maior interesse e entusiasmo aos seus esforços
para desenvolve-lo. A cultura também irá ganhar com
esta situação, em termos de valor e significado. Kropotkine
tinha razão quando exaltava, por exemplo, a arte das cidades
livres da Idade Média. Não devemos esquecer, contudo,
que os resultados vão ser mais ou menos fecundos de acordo
com o temperamento, a inteligência e a mentalidade dominante
em cada região, não sendo o produto do isolamento,
mas sim de um contanto maduro e permanente com outras regiões
e o mundo exterior.
O
Conselho Regional de Economia, através do seu Conselho de
Crédito, e Troca, irá atender às estatísticas
da produção, do consumo, da força de trabalho,
e das matérias-primas disponíveis. Ele tratará
de administrar os trabalhos públicos de grande escala, e
de criar, em cooperação com todos os conselhos locais
federados, institutos científicos e de pesquisa. O conselho
regional de economia tratará de estimular a produção
e melhorar os métodos de trabalho, intensificar a produção
agrícola, tornar férteis os terrenos áridos
ou rochosos através de trabalhos de irrigação,
etc.
Nenhum
outro regime político ou económico respeitaria tanto
a vida regional, com os seus costumes, língua e peculiaridades,
quanto nós o propomos fazer. No nosso plano, a maior coordenação
de todas as actividades económicas é obtida com base
na mais perfeita autonomia de cada membro da federação,
começando no indivíduo e indo até os conselhos
locais de economia.
Os
conselhos regionais de economia convocariam periodicamente assembleias
com o fito de eleger ou reeleger os seus membros e também
para, com base na livre iniciativa e na livre opinião, conceber
os programas a serem realizados.
Os
conselhos regionais irão constituir, por meio de delegados
ou de assembleias, o Conselho Federal de Economia, o mais alto órgão
de coordenação económica do país. Este
último será uma associação nacional
permanente, e irá servir de contrapeso a quaisquer possíveis
tendências de isolamento regional.
Paralelamente
a essa estrutura, vamos ter a Federação Nacional dos
Conselhos de Indústria, cuja missão se limita à
adequada coordenação de todas as actividades industriais
e agrícolas do país.
Considerando
que essa federação está organizada numa base
corporativista, teremos no Conselho Federal de Economia o seu contrapeso
social que pode, caso seja necessário, ajudar a corrigir
possíveis excessos de corporativismo sindical, e vice-versa.
Uma cooperação mútua de ambos, partilhando
informações e iniciativas, seria extremamente proveitosa.
De
qualquer maneira, caso seja necessário avaliar trabalho e
fixar um meio de troca, serão os conselhos locais, regionais
e federais de economia a decidir quais as normas a serem seguidas.
Desta forma, serão evitados possíveis exageros, quer
da parte das indústrias, quer da parte das federações
nacionais, em relação a valor das suas actividades.
A
troca de produtos também fará parte das tarefas dos
conselhos de economia. Os conselhos locais e regionais de indústria
não terão essa função.
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