Conselho Federal
de Economia
Começámos com a célula fundamental: o trabalhador,
o camponês, o mineiro, e o pescador. Passámos de seguida
para a primeira estrutura formada por células de funções
semelhantes com o mesmo local de funcionamento: o conselho de fábrica,
o conselho da mina, a quinta colectiva. De seguida, unimos essas
primeiras colónias funcionais em sindicatos e, posteriormente,
em conselhos de indústria, onde os esforços de produção
são combinados para formar uma função económica
completa. Já vimos como esses conselhos de indústria
se federam entre si para formar, por um lado, conselhos locais de
economia e, por outro, uma federação nacional dos
conselhos de indústria. Através dos conselhos locais
de economia, o trabalho atinge unidade e organização
á escala local. Em seguida, o mesmo é conseguido á
escala regional através dos conselhos regionais de economia.
Por fim, consegue-se a unificação da produção
á escala nacional integrando-se as delegações
dos diferentes conselhos regionais no Conselho Federal de Economia.
O
princípio da força não é inerente a
nenhuma parte deste mecanismo anti-capitalista de organização
de trabalhadores. A sua estrutura adapta-se à moderna concepção
do mundo, e responde a um desejo intenso de combinar a liberdade
individual com a obrigação de trabalhar para o bem
comum. A nossa concepção da economia enquanto um todo
é algo inevitável. Seja através de meios revolucionários
ou de meios reacionários, é necessário que
se proceda á unificação económica do
mundo. Na presente ordem de coisas, o individualismo económico
e o regionalismo não são hipóteses a ter em
conta. A economia deve ser planificada, para que se evitem abusos
e desperdícios. A eterna aspiração do indivíduo
para ser diferente vai poder, contudo, ser expressa de mil formas,
e não vai ser submergida por nenhum processo de nivelamento.
Não acreditamos que o facto do indivíduo contribuir
para o bem comum leve, de modo algum, ao nivelamento. Mesmo que
se empreguem métodos de trabalho estandardizados, os trabalhadores
vão ter muito tempo, durante as suas horas de lazer, para
desenvolver as suas aptidões e talentos individuais.
De
uma vez por todas, temos que compreender já não estamos
a embalar o berço de uma pequena utopia. Temos que entender
a vasta revolução operada nos processos de produção.
Para uma economia socializada, dirigida ou planeada, não
importa o nome, é indispensável seguir a evolução
do mundo económico moderno.
O
conselho federal de economia, formado por todos os núcleos
do trabalho organizado, do simples ao complexo e de baixo para cima,
une toda a estrutura económica do país, e é
a resultante de um infinitamente complexo sistema de forças,
todas a convergir para o mesmo ponto: aumentar a produção,
e distribui-la melhor.
Se
o socialismo e suas variantes tivessem aceite, desde o princípio,
a necessário substituir o decrépito sistema
político e económico do capitalismo por organismos
adequados de economia prática, teríamos actualmente
condições muito diferentes das que temos. Na verdade,
a solução deles continha a nefasta ideia de um aparelho
estatal, com os seus atributos de poder e de controlo para decretar
novas tábuas da lei.
Por
outro lado, a facção revolucionária, lutando
ferozmente contra o inimigo comum, pouco tempo teve para pensar
na construção da nova sociedade. A história
de todos os revolucionários foi sempre composta de heroísmo
e de infindáveis sacrifícios. Portanto, ao enfrentar
o problema de transformar a sociedade, a Revolução
não pode considerar o Estado como um meio de acção,
devendo antes confiar na auto-organização dos produtores.
É
essa a norma que seguimos, e não vemos que utilidade pode
ter um poder superior ao trabalho organizado para estabelecer a
nova ordem de coisas. Ficávamos agradecidos se alguém
fosse capaz de nos mostrar que funções (se alguma)
pode o estado desempenhar numa sociedade onde a propriedade privada
foi abolida e o parasitismo e o privilégio não existem.
A supressão do Estado não pode ser encarada como um
assunto de pouca importância; a Revolução tem
que acabar de vez com o Estado. Ou a Revolução dá
a riqueza social aos produtores, que se auto-organizam para proceder
á devida distribuição social da mesma e o Estado
não tem nada para fazer, ou então a Revolução
não dá riqueza social aos produtores sendo, portanto,
uma mentira, e o Estado continua a existir.
O
conselho federal de economia não é uma autoridade
política, mas sim uma autoridade de regulação
económica e administrativa. Ele recebe as suas instruções
a partir de baixo, e opera de acordo com as decisões tomadas
nas assembleias regionais e nacionais. É um corpo de ligação
e nada mais.
O
conselho federal de economia terá um papel importante a desempenhar
divulgando as novas normas e encorajando o interrelacionamento regional,
fomentando a solidariedade nacional. Baseando-se nas estatísticas
que lhe são enviadas por todas as fontes de actividades económicas
e sociais, o conselho federal vai estar a par das realidades económicas
do momento. Ele vai saber onde se encontram os excessos e os défices
de produção, quais são as necessidades em termos
de transportes e comunicações, e se são necessárias
novas estradas, novos cultivos, ou novas fábricas. E, se
as regiões não tiverem ao seu dispor recursos suficientes,
ele vai providenciar ajuda nacional para os trabalhos públicos
de necessidade reconhecida.
O
conselho federal de economia não irá carecer de quaisquer
gendarmes para obrigar ao cumprimento das suas sugestões
e propostas. Nos parlamentos burgueses são feitas leis que
só os juristas entendem e que, para serem cumpridas, precisam
de coação policial. No conselho federal de economia,
a autoridade suprema reside nos números e nos dados da estatística,
e a coerção, além de ser impossível
em si mesma, produziria resultados estéreis e opostos ao
pretendido.
O
reinado dos oradores parlamentares vai ser substituído pelo
dos factos da estatística, que são infinitamente mais
eloquentes e em consonância com a realidade viva.
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