Conselho de
Crédito e Troca
No Conselho de Crédito e Troca temos a soma cumulativa de
todas as funções e inter relações económicas.
Sob a nova economia, na qual o crédito vai ser uma função
social útil, e não uma forma de especulação
privada ou de usura, este conselho vai ter uma missão importante
a desempenhar, como um meio vital para se atingirem a prosperidade
e o progresso. O crédito vai ter por base as possibilidades
económicas da sociedade, não os juros ou o lucro.
A acção deste conselho vai basear-se em estatísticas
exactas da produção e do consumo. Os seus funcionários
serão escolhidos de entre os das actuais instituições
bancárias.
A
troca de produtos será feita sob o controlo monetário.
Com base nas estatísticas, o conselho de crédito e
troca tratará de regular a distribuição dos
produtos, transmitir ordens e, basicamente, desempenhar a função
que é hoje competência dos estabelecimentos comerciais.
O Conselho não terá que se preocupar com a distribuição
dos produtos, uma vez que os conselhos de indústria estão
organizados de forma adequada para se ocuparem de todas as operações,
desde a produção das matérias-primas até
á entrega do produto fabricado ao consumidor. A missão
do conselho será desempenhar o papel de centro de consumo
e de fornecimento.
Se
for necessário, como provavelmente vai ser, criar um símbolo
de troca para responder ás necessidades da circulação
e troca de produtos, o conselho de crédito e troca tratará
de criar uma unidade de troca com este propósito, exclusivamente
para facilitar as trocas, não para servir como poder monetário.
Este
conselho terá uma organização semelhante á
dos outros, mas irá funcionar como um elo de ligação
entre todos os outros conselhos estabelecendo por esse meio uma
solidariedade perfeita na nova economia. Os conselhos locais de
economia serão parte do Conselho de Crédito e Troca.
Em conjunto com todos os outros conselhos regionais, será
formado o Conselho Nacional de Crédito e Troca, que irá
regular, conjuntamente com o Conselho federal de Economia, o comércio
exterior e as relações financeiras internacionais.
Por alguns anos, não vamos dispor de abundância e,
em consequência disso, a produção e a distribuição
têm que ser alvo de um controlo rigoroso. O individualismo,
tal como é praticado no regime capitalista, irá levar
a abusos e desigualdades de consumo, assim como á insegurança
na produção. É por isso que a condição
essencial da nova economia é o seu carácter social,
cuja função especial consiste em assegurar, pelo menos,
um padrão mínimo de existência á população.
Quando a produção for mais abundante, quando o progresso
técnico tiver tornado possível um padrão de
vida superior, então trataremos de satisfazer os desejos
pessoais, depois de já termos obtido o mínimo indispensável
á existência de cada um.
O
Conselho de Crédito e Troca será como que uma espécie
de termómetro da produção e das necessidades
do país. As associações de produtores vão
saber através dele que bens devem produzir e onde devem ser
entregues. Os gabinetes de estatística que, sob o presente
sistema social, só têm uma função decorativa,
vão constituir o eixo central do Conselho de Crédito
e Troca, disponibilizando todos os dados necessários á
administração competente da nova estrutura económica.
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