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Conselho das Publicações e Actividades Culturais

 

Já mencionamos num capítulo anterior a escassez das matérias-primas necessárias para dispormos de uma provisão adequada de papel, e também sugerimos que se remediasse esse problema através de um reflorestamento. Em 1928, sem contar com os jornais e revistas, publicaram-se em Espanha 2.830 livros e 3.578 folhetos e brochuras.

A organização das fábricas de papel podia incluir igualmente a preparação de pastas e polpa. Os impressores formariam um sindicato de artes gráficas. Da mesma forma, cada núcleo de escritores, jornalistas e cientistas formaria o seu respectivo conselho. Unindo-se, eles formariam o sindicato dos escritores e jornalistas. Juntamente com o conselho dos transportes, as comunicações, e o conselho de crédito e troca, o conselho da indústria de publicações também faz parte de uma espécie de sistema nervoso social, que une as diversas partes do organismo social. A missão dos jornalistas e dos editores na nova economia tem uma importância especial. A ciência, a literatura, a arte, e a informação, ficarão disponíveis para todos na sua mais pura forma. Não vai haver nenhum interesse o de explorar as publicações para lucro privado. A luz virá a todos tão livre e tão pura quanto a do sol, sem disfarces de casta e sem a mancha das facções.

Não somos os primeiros a supor que, no regime capitalista, a instrução pública cumpre um papel que é muito mais motivado pelas necessidades da vida moderna, que precisa de que os trabalhadores sejam capazes de ler, escrever e contar, do que por um desejo sincero de cultura e progresso para o povo. Seja como for, a cultura, sob o capitalismo, só vive através da perversão e da falsificação no interesse das classes dominantes. A escola, a universidade, o cinema, o teatro, o desporto, etc., são usados como forma de justificar legal, moral, e materialmente os privilégios de uns poucos e a escravidão da vasta maioria.

"O capital", diz Ferdinand Fried [1], "tem em tão pouca estima a ciência, que só vê as universidades como escolas profissionais para criar melhores forças de trabalho."

A nova economia, sendo o produto da contribuição e do esforço de todos, deve desenvolver uma verdadeira cultura, sem outro fim que não seja o progresso e elevação do ser humano a um nível superior. A cultura pode não fazer parte, enquanto tal, da estrutura económica da nova ordem, mas a nova sociedade que pensa não no trabalhador, mas no homem, não se alimenta só de pão, mas também de conhecimento.

O organismo da cultura, intimamente ligado a todos os outros organismos de produção e distribuição, também é constituído como uma entidade orgânica, desde a escola, com o seu conselho administrativo formado por professores, pais e alunos, até ao sindicato de professores e o conselho local, formado pelos vários sindicatos. As universidades vão ter, contudo, uma estrutura diferente. Por exemplo: a faculdade de química passaria para a alçada do Conselho das Indústrias Químicas, as faculdades de engenharia passariam a depender do respectivo conselho de indústria, e assim sucessivamente.

Os teatros, que hoje só funcionam para lucro privado, vão ser no futuro instrumentos de cultura. Os cinemas, os desportos, etc., vão ser integrados no Conselho das actividades Culturais e cumprir, pela primeira vez, a sua real função. Da mesma maneira, a arte, que é hoje o privilégio de minorias selectas e ricas, vai ficar disponível para todos, enobrecendo e embelezando as vidas de todos aqueles que forem capazes de apreciá-la. Não só irá desaparecer a ignorância, como cada criança irá dispor de um conhecimento real e adequado, e também de uma preparação técnica para o trabalho na indústria e na agricultura.

A revolução precisa de trabalhadores capazes, de camponeses com iniciativa, de homens com uma preparação sólida, que as novas escolas e institutos de pesquisa terão por missão formar. A Espanha estará então em posição de realizar as esperanças mais românticas dos seus patriotas mais exaltados.

O capitalismo não é capaz de sustentar o actual aparelho de educação pública. Ele tem que reservar a maior parte do seu orçamento para a manutenção da ordem pública, do exército, e da marinha. O professor é um funcionário pobre, esquecido, e que vive em miséria. A nova economia precisa de milhares de novas escolas, milhares de novos professores, e centenas de escolas especializadas nas indústrias e agricultura.

[1] "O Fim do Capitalismo"; Ed. Grassei, Pans, pág. 122.

 


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