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A População de Espanha e a sua Distribuição

 

É importante conhecer a população espanhola porque os problemas da reconstrução vão depender sobretudo do número de habitantes. A população espanhola pode ser calculada num total de vinte e quatro milhões de habitantes. Em 1930, a taxa de natalidade foi calculada em 28.8 por mil, e a de mortalidade em 17.8 por mil, portanto, a população espanhola aumentou 0.61% no período 1800 a 1810, 0.52% no período de 1870 a 1910, e 0.65% no período de 1910 a 1930.

Os recursos naturais da terra são limitados. Existe uma grande necessidade para aumenta-los, necessidade essa que não pode ser satisfeita, como aconteceu no passado, através da conquista de novos territórios, mas sim através da intensificação do cultivo das que já temos. A indústria e ciência também vão ter que ajudar a prover aquilo que os recursos naturais não fornecem.

O índice de desenvolvimento de um país não é medido através da sua população agrícola, mas sim da sua população industrial. Em países férteis, de cultivo fácil, como o Canadá, um décimo da população total seria suficiente para prover a todas as suas necessidades agrícolas. Em Espanha, vamos precisar de ter pelo menos 20% da população total a trabalhar no cultivo da terra.

Com este número, o trabalho nos campos, que a ignorância, os impostos, e a propriedade privada transformam hoje em dia numa verdadeira maldição, será transformado num dos trabalhos mais saudáveis e produtivos.

A Espanha é relativamente atrasada em termos de indústria agrícola e transportes. A Revolução terá que realizar nalguns anos um avanço prodigioso. Ela terá que construir todos os dispositivos técnicos em falta, modernizar os métodos de cultivo, construir estradas, replantar as florestas, e aproveitar a água dos rios até á ultima gota disponível, transformando os baldios áridos da estepe em terra produtiva.

A população é numerosa o suficientemente para conseguir concretizar estes objectivos em poucos anos. Se todos os militares e empregados do governo fossem postos a trabalhar em reflorestamento, construção de canais e sistemas hidráulicos, a terra espanhola, que agora é árida, seria transformada numa poderosa fonte de riqueza agrícola. Podíamos fazer isso só com os trezentos e cinquenta mil homens que são agora usados para defender a riqueza das classes privilegiadas.

Mas o parasitismo na Espanha é infinitamente maior. Uma certa tendência para se viver sem trabalhar, muito humana de certo modo, é perceptível ao longo de toda a história espanhola. Essa tendência foi exagerada por observadores superficiais e, por causa disso, o espanhol ganhou fama de preguiçoso. Mas é preciso dizer que essa tendência só é característica das classes privilegiadas.

Os trabalhadores e os camponeses são extremamente laboriosos e, se os compararmos com os de outros países, eles não são de modo algum inferiores em termos de habilidade, resistência e de constância no seu trabalho. Podemos encontrar trabalhadores espanhóis nas fábricas mais modernas dos Estados Unidos, nas pampas argentinas, e em qualquer lugar do mundo. Se eles se distinguem de todo dos outros trabalhadores, será talvez pelo seu maior sentido de independência e na sua maior tendência para a rebelião. É por isso que, nalguns lugares, as porta lhes são fechadas, mas nunca por qualquer inferioridade no que diz respeito á sua capacidade de trabalho.

De acordo com o censo levado a cabo por Campemanes em 1787, só um quinto da população espanhola estava a trabalhar em funções economicamente úteis. Por outro lado, existiam 481.000 nobres, 189.000 clérigos, e 280.000 criados. Os relatórios posteriores podem ter mudado a nomenclatura, mas vamos continuar a encontrar uma parte da população que evita toda e qualquer obrigação de ganhar o pão de cada dia com o suor do rosto e, enquanto que o sistema económico e social vigente não for profundamente alterado, será inútil sonhar com o desaparecimento deste parasitismo.

Em 1915, tínhamos um total de 4.645.633 pessoas, ou seja, 23% da população total, a viverem nas 49 capitais de província e nas 40 cidades com mais de 30,000 habitantes. Sem dúvida que essa percentagem aumentou desde então, mas a população rural ainda é superior á urbana.

Para ilustrar o significado da distribuição da população, vamos analisar os números da França. Em 1789, a sua população rural era de 26.363.000 habitantes, e a sua população urbana era de 5.709.270 habitantes. Para cada pessoa a viver nas cidades, tínhamos 5 a viver no campo. Em 1921, as populações rurais e urbanas eram iguais. Em 1926, a população rural representava só 31% do total. De 1921 a 1926, os campos franceses perderam quase um milhão de camponeses, que migraram para as indústrias da cidade.

A falta de equilíbrio entre o crescimento das cidades grandes e o das suas regiões correspondentes é mais pronunciada na Catalunha. Em 1920, a população total da Catalunha era de 2.244.719 habitantes, dos quais 721.869 viviam em Barcelona. Em 1930, os números eram respectivamente de 2.791.292 e 1.005.565 habitantes. Em 1934, de acordo com os melhores dados disponíveis, a população da região era de 2.969.921 habitantes, dos quais 1.148.129 residiam em Barcelona.

Em 1919, 406.000 espanhóis dedicavam-se ao comércio e aos negócios. Em 1920, este número alcançou os 644.000. No mesmo ano, a percentagem da população que estava empregue na indústria e nas minas era de 31%, muito abaixo da de praticamente todos os países europeus.

A população espanhola está dividida em 46.082 unidades, que vão desde cidades de um milhão de habitantes até comunidades com só uma dúzia ou um par de pessoas. Existem em Espanha 284 centros urbanos, 4.669 municípios, 16.300 cidades, 13.211 aldeias, e 11.618 lugares.

Outra distribuição que devemos ter em consideração é a que se segue: a Espanha está dividida em 527 sectores judiciais, 12.340 distritos urbanos e 9.260 municipalidades. A futura estrutura geográfica vai ter uma base mais económica do que política mas, mesmo assim, temos que conhecer esta situação.

Comparando o censo de 1910 com o presente, calculamos que existam em Espanha cerca de 10.000.000 de pessoas em idade de trabalhar, dos 18 aos 50 anos. Desse número, nem 5.000.000 de pessoas (desempregados e famílias dos camponeses incluídas), desempenham de facto funções socialmente úteis nos campos e nas indústrias.

De acordo com o censo de 1920, as 9.260 municipalidades que referimos anteriormente tinham a seguinte população:


25 municipalidades………………….…….até 100 habitantes
1325 municipalidades …………..entre 100 e 300 habitantes
1079 municipalidades …………….……300 a 500 habitantes
2243 municipalidades………………...500 a 1.000 habitantes
1697 municipalidades………………1,000 a 2.000 habitantes
749 municipalidades……..…………2,000 a 3.000 habitantes
700 municipalidades……..…………3,000 a 5.000 habitantes
523 municipalidades………..……..5,000 a 10.000 habitantes
284 municipalidades………..……mais de 10.000 habitantes, das quais só nove têm mais de 100.000 habitantes.

A média de 43 habitantes por quilómetro quadrado é muito alta para um país rural e muito baixa para um país industrializado.

Em resumo, do ponto de vista capitalista, a Espanha tem um problema de superpopulação. O alívio que a emigração proporciona não é algo com que se possa contar no futuro. Por conseguinte, a população vai continuar a aumentar, apesar das devastações causadas pela penúria e pela tuberculose. Sob o regime actual, só existem perspectivas de privações crescentes e de maior opressão e escravidão para os trabalhadores.

Numa economia socializada não vai existir nenhum indivíduo improdutivo. Todos vão ter um trabalho, que pode ser escolhido dentro de amplos limites. Os quatro ou cinco milhões de trabalhadores que quebram as costas para ganhar uma côdea de pão e manter numa existência desafogada e confortável os funcionários de estado, os senhores da indústria e os ricos indolentes, vão ver o seu numero a ser automaticamente duplicado pela revolução e, só por isso, o seu fardo vai ser imediatamente aligeirado. Se todos comem, é justo que todos trabalhem. Além disso, este alívio vai ser aumentado de ano para ano através de trabalhos públicos de irrigação, comunicações e transportes, do aumento da produção mineral e da intensificação geral da indústria. Fazendo uso dos actuais métodos de produção e com o estado actual da economia espanhola, a capacidade de produção de alimentos, segundo Pescador, é suficiente para alimentar 27.000.000 de pessoas. As transformações que a revolução vai trazer ainda podem aumentar consideravelmente esta capacidade.

 


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