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Os "anarco-terroristas" tentaram cometer um atentado no passado dia 28 em Madrid

 

A guerra psicológica desempenha uma papel imprescindível na hora de construir um consenso, previamente desenhado, no qual a população é levada a apoiar a acção governativa, seja esta tortura, guerra suja, montagens, manipulação dos meios de comunicação... Qualquer acção pode ser justificada em prol da defesa e subsistência de um sistema democrático que, ao fim e ao cabo, continua a ser o sistema de uma classe parasitária que construiu esta ficção "democrática", onde podes escolher um candidato entre um grupo de candidatos desenhados e publicitados.

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El Mundo, Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2002

Os "anarco-terroristas" tentaram cometer um atentado no passado dia 28 em Madrid

A polícia desactivou uma bomba com um quilo de pólvora colocada nuns escritórios (da Direcção) de Prisões

Fernando Lazaro

Madrid.- Os anarquistas radicais (definidos pelas Forças de Segurança como anarco-terroristas) quiseram marcar presença de novo antes do final do ano em Madrid. No entanto, a eficaz actuação dos técnicos em desactivação de explosivos da Polícia Nacional desbaratou-lhes os planos.

No passado dia 28 de Dezembro, a meio da manhã, os especialistas conseguiram desactivar um artefacto explosivo colocado numa das dependências das Instituições Penitenciárias no bairro madrileno de Moratalez.

O explosivo estava composto por quase um quilo de pólvora prensada e estava preparado para rebentar a uma hora determinada já que, segundo fontes da investigação, tinha um temporizador. O dispositivo estava dentro de uma mala de mulher, que se encontrava no solo destas dependências. Inicialmente suspeitou-se que os empregados da limpeza se tivessem esquecido da mala. No entanto, os funcionários decidiram alertar o 091, que avisou os Tedax. Os técnicos conseguiram desactivar o artefacto e transferiram-no para a Polícia Científica para verificar se se podem encontrar impressões digitais dos autores da colocação.

As fontes consultadas pelo EL MUNDO indicaram que existem poucas dúvidas sobre a autoria e que todas se centram em grupos anarquistas radicais, baptizados já nalguns países da Europa como anarco-terroristas. Os serviços policiais estão já em alerta perante a possibilidade de outros grupos anarquistas radicais de toda a Europa tentarem fazer-se notar durante a Presidência espanhola da U.E. que começou no dia 1. De facto, já há alguns meses, tanto a Polícia Nacional como a Guarda Civil elaboraram um dispositivo de segurança especial para controlar qualquer possível incidente, tanto deste tipo de extremistas como dos movimentos anti-globalização.

Os anarco-terroristas já tinham praticado várias campanhas contra profissionais da imprensa, aos quais enviaram cartas com explosivos, e em apoio dos presos FIES (Ficheiro de Internos de Alto Risco). Os peritos consideram ser por este motivo que este último artefacto se dirigia contra (a Direcção de) Prisões.

Conexões internacionais

Os peritos policiais na luta contra estes movimentos radicais sustentam que os anarquistas espanhóis mantêm um estreito contacto com simpatizantes deste mesmo movimento noutros países europeus, fundamentalmente italianos, gregos e franceses.

De facto, pelo menos um preso italiano, Claudio Lavazza, e outro francês, Gisbert Girlain, já foram imputados por um juiz da Audiência Nacional pela sua suposta ligação ao envio de pacotes com explosivos a profissionais dos meios de comunicação e dirigentes de movimentos não governamentais. Ambos estão no ficheiro de presos perigosos.

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Qualquer guerra suja do estado e dos seus defensores da ordem contra os seus inimigos se assemelha a uma campanha de publicidade. Neste caso trata-se de vender-te algo para que nisso acredites. Tudo se simplifica.

A história de cada período corresponde a histórias de guerra suja onde o regime se foi desembaraçando dos seus inimigos. Nas últimas três décadas assistimos a montagens desenhadas em momentos determinados, grupos armados financiados pelo estado e uma publicidade cada vez mais perfeita. A realidade deixou de viver-se na primeira pessoa para dar lugar a uma realidade construída de imagens seleccionadas, com comentários seleccionados, onde o espectador pode participar dizendo que sim com a sua cabeça. A realidade faz-se de traços simples, ... loucos terroristas que pretendem assaltar a paz social, democratas de partido que perpetuam os seus papéis de vítimas e líderes e simpáticos jornalistas que repetem a verdade para que nós também a repitamos. Na guerra suja a sentença está dada de antemão, muito antes de os juizes cumprirem o seu ritual. E nós continuamos a fazer as mesmas perguntas. E, escondida do cenário, aparece a prisão como balde higiénico onde despejar todos e todas @s que não acreditam neste cenário.

Queremos denunciar publicamente uma montagem que aponta @s companheir@s comprometid@s com a luta em Madrid e que está a ser fabricada tanto pelo Ministério do interior como pelo diário "El Mundo", com o fim de dar mais um golpe às lutas que se estão a desenvolver dentro das prisões. Não é casualidade que no passado dia 4 de Janeiro tenha aparecido a seguinte notícia no "El Mundo": "Os anarco-terroristas tentaram cometer um atentado no passado 28 de Dezembro em Madrid". O que logo estranha é que a dita notícia saia à luz uma semana depois de presumivelmente ter ocorrido. Isto confirma-nos a já sabida realidade; quem na realidade está a informar ou, melhor dizendo, interpretando, guiando e apontando é o ministério do interior.

O emprego do termo terroristas implica já vários aspectos. O mais destacável é que o ministério do interior está interessado em demonstrar que existe um grupo armado inexistente. Isto torna o caminho mais fácil para a repressão. Qualquer pessoa que faça, segundo os investigadores, parte desse grupo armado ou de alguma "célula" (curioso termo) pode ser detido simplesmente por pertencer a algo que é criado pelos instrumentos de repressão. Curioso não é? Mas ainda não acaba aqui. Envolve-se, gratuitamente e sem nenhuma prova, dois presos activos na luta dento das prisões, com a desculpa de que presumivelmente estiveram supostamente relacionados com acções contra jornalistas. Utiliza-se uma anterior montagem que cai pelo seu próprio peso para acusá-los. Pode lhes ser atribuída a responsabilidade de qualquer coisa que ocorra.

Tudo se converte numa fácil maneira de acabar com qualquer um que esteja relacionado com a luta contra a prisão. Na realidade, não faz falta nenhuma prova, estamos a falar de peritos em construir e publicar provas. Qualquer luta sem mediadores pode ser equiparada a "terrorismo" e qualquer um que demonstre um interesse pode ser "terrorista". O jogo legal é simples. Todos podem ser terroristas: desde vizinhos activos contra modernas infra-estruturas do capital, jovens que não se rendem perante as adversidades e que buscam a vida e o tecto, até pessoas que dizem o que querem dizer pelos seus próprios meios.

Que não nos invada o medo e a confusão. Agora mais que nunca é o momento para materializar uma solidariedade activa. Queremos pensar que algo termos aprendido de anteriores montagens. Que ninguém fique sozinho na sua luta. A luta continua.