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SOLIDARIEDADE
COM OS PRESOS EM LUTA
Sucedem-se
os protestos nas prisões portuguesas. Na segunda-feira,
dia 17 de Junho, os reclusos do Estabelecimento Prisional de Vale
de Judeus iniciaram uma greve ao trabalho por tempo indeterminado,
em protesto contra as degradantes condições da prisão.
A adesão rondou os 100%. Como resultado, foram transferidos
para os Estabelecimentos Penitenciários de Coimbra, Linhó
e Pinheiro da Cruz 11 reclusos acusados de serem os "cabecilhas"
do movimento. Na sexta-feira, dia 21, à hora do almoço,
cerca de trezentos reclusos da ala A do E. P. do Linhó
recusaram-se a comer as refeições servidas, em solidariedade
com os seus companheiros de Vale de Judeus. Durante a noite, como
represália, os reclusos foram espancados indiscriminadamente
no interior das suas celas. Entretanto, desde quinta-feira, dia
20, três reclusos transferidos para Pinheiro da Cruz - João
P. Marques, Luís Gaspar e Meireles - iniciaram uma greve
de fome e de sede em protesto contra esta situação.
A
prisão - tortura 24 horas por dia - permanece intocável,
pois a sociedade permanece indiferente aos protestos de pessoas
que perderam o seu estatuto de seres humanos aos olhos da mesma.
A partir daqui tudo se justifica, pois poucas vezes se conhecem
fora de muros as humilhações, as agressões
dos guardas, os péssimos ou inexistentes cuidados de saúde,
a escravidão laboral. Uma situação que só
tende a piorar, talvez também porque a prisão é
cada vez mais um gigantesco negócio de que beneficiam o
Estado, as empresas e os funcionários envolvidos no tráfico
de droga, na alimentação e na exploração
do trabalho prisional.
Denunciar a prisão é acusar uma sociedade baseada
na desigualdade social, onde as vidas dos que estão em
baixo continuam a não ter valor. É, sobretudo, lutar
pela dignidade humana que o actual sistema capitalista nunca poderá
respeitar.
SOLIDARIEDADE
ACTIVA COM OS PRESOS EM LUTA!
24/06/2002
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