Alguns
blocos cinzentos, grades, arame farpado, vigias, guardas, talvez
até umas câmaras para controlar @s detid@s. Não,
não é um campo de concentração.
É algo a que chamam "escola" e talvez pela
descrição até se pareça com a tua.
As semelhanças são formidáveis, não
achas?
É este o cenário ideal para a morte do indivíduo.
Deixa que te expliquemos. É que afinal, a escola talvez
não seja aquilo que nos dizem ser. Para começar,
não estás ali para aprender, mas para seres ensinad@.
A diferença é que, enquanto aprender depende de
ti, do encontro contigo mesm@, com aquilo que queres e de que
gostas, ser ensinad@ implica uma lavagem cerebral a longo prazo,
implica que engulas tudo aquilo que querem que assimiles. Sobretudo,
deves assimilar o mesmo que os teus colegas, desta forma está
preparado o caminho para a uniformização, ou seja
para o estrangulamento da tua personalidade. Mas como é
que isto se processa? Prémio e castigo, a lógica
que se aplica à domesticação de animais
é a mesma pela qual a escola te "educa". Mas
então, a escola educa-te ou domestica-te? Não
tens de pensar muito para obteres a resposta para esta pergunta.
Como um animal selvagem és arrancad@ à vida, colocad@
numa jaula soturna a que, talvez por ironia, insistem em chamar
"escola". Aqui, farão de ti um "homem"
ou uma "mulher", conforme o caso. Rapidamente aprendes
uns truques, decoras umas fórmulas que repetirás
até à exaustão sempre que to pedirem, além
disso não precisas de questionar pois o que te ensinam
é sempre verdade e é para o teu bem. Se assim
continuares, passiv@ e obediente, então muito bem: és
um(a) alun@ de sucesso e, sobretudo, és melhor que @s
outr@s, o que te vai ser bastante útil na tua carreira
profissional. Prometem-te então um lugar de destaque
no circo, perdão, no mercado de trabalho.
Como animal em fase de domesticação, ou frango
num aviário, começas a agir por estímulos
e, como na caserna ou na fábrica, regulas a tua vida
por toques de entrada e de saída: 50 minutos de lavagem
cerebral, logo seguidos de um breve intervalo para satisfazeres
as tuas necessidades básicas, logo outros 50 minutos,
etc. Assim gira a tua existência, que começa então
a ser dominada por pouco mais do que por um enorme tédio.
Ensinam-te que não deves questionar, que não deves
ser inteligente, que não deves amar ou sonhar, ensinam-te
na verdade a prática da não-vida, que mais senão
isso? Não deves viver, deves obedecer! Afinal, qual é
a função do sistema de ensino na sociedade actual
senão fabricar (sim, a escola é uma fábrica!)
profissionais qualificad@s e conformad@s com o seu humilde papel
de satisfazer as necessidades do mercado de trabalho?
Uma
escola livre
Sabes,
nós pensamos que isto poderia ser muito diferente. Queremos
uma escola livre, que se construa a partir dos sonhos de todos
e todas. Queremos uma escola que renuncie à hierarquia,
em que alun@s e professor@s se tratem por igual, pois só
assim poderá haver diálogo e respeito. Queremos
uma escola que forme homens e mulheres livres, seres humanos
responsáveis pelos seus actos. Queremos uma escola que
não negue o prazer, mas que leve @s alun@s a aproveitar
as potencialidades do seu corpo e espírito. Não
queremos que a nossa educação seja condicionada
pelo mercado de trabalho, pelo cumprimento da lei ou pelo interesse
nacional. Tudo isto são, para nós, meras abstracções
que pouco interesse terão para mulheres e homens que
se querem livres. A liberdade não é só
uma palavra bonita que vem no dicionário. É algo
para viver, sentir, amar e sonhar! @s que o negam são
noss@s inimig@s, pois não é certamente o nosso
bem que querem.
Luta
connosco, pois lutar é viver!
Sem líderes, nem deuses, nem partidos, nem ministros
da educação!
O nosso futuro será construído por nós,
não pel@s outr@s!
Círculo
de Estudantes Anarquistas-AIT